sábado, 30 de dezembro de 2017
Tremido
Lagarto no asfalto
domingo, 10 de dezembro de 2017
Libertem as mães, peço docemente
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
(Ex)barrados
De medo
E certeza
Para que ouçamos
E saibamos
Com quem lidamos
E lutamos
Lutamos
Ainda que feridos
Nos tema
E não revoga
Vigora
Hostil
Retrocesso
Descaso
Enfraquece
Empobrece
Os seus
Tão nossos futuros
Obscuros
Ficarão
Professores
Corretores
Monitores
E munições
Sãs
Nós
Sem olhar por mim
Nós
Já não sós
Te abala(?)
Do olhar astigmatizado
Saí sem óculos e me entreguei à beleza do astigmata.
Entre rostos tortos e imagens distorcidas, vivi.
Me desvencilhei da visão e, por isso, só por isso, vi.
Vivi.
Julguei ser a hora de respeitar minha não-visibilidade genética e então olhei.
Quebrei os óculos.
Enudeci meus olhos e finalmente enxerguei.
Vi o invisível, tangi o inatingível.
Abri, por fim, meus olhos porosos.
Convidados intrusos
Sentei na cama inquieta
Ali já estava desperta
Meu coração despertador me levantou
Agitado soou
Me furtou sono deleite
Deixou olheiras de enfeite
Frente a ti
Ainda busco o porquê
Acho que queria te ver
Falas sem espaço
Frases sem tempo
Para onde tudo isso aponta?
Devo querer teu abraço
Sentir o seu alento.
E aqui estou
Te sonho, sei
Atento
Tua presença no meu falar
Ao acordar o falado foi ao ar
Ventifcou
vento virou
Eles não.
Cravaram
Enraizaram
Iluminaram
Foram luz no meu quarto solidão
Faróis meio à escuridão
Me perguntar
Audaciosos
Que momento ainda escolhem?
Meticulosos
Mas a ti cá entrego
Ao menos esse devaneio
Essa noite de receio
Minha fragilidade exposta
Minha imagem descomposta
E eles cada vez mais imersos
Hoje foram meus compositores.
Assalto
sem pedir licença
Me toma de assalto
e me descompensa
entonam sua sina
Velocidade atroz
Me agitando os lençóis
Enlouquece
Pra ver que não dá
Tempo de notar;
Você não conseguirá.
(Ar)
...Não vou me direcionar
Quando? (Farei)
Ah, faltou também...
Quando? (Terminarei)
Você deve ter esquecido, mas...
Quando? (Conseguirei)
Integral até
Ali, delícia seria se assim declarada fosse
De certo se fosse ela
com outros se identificasse
Serei só mais uma amante de versos pueris e que por assim o ser
Me entrego à limitação que essa compreensão pressupõe
Sorriso bobo e impreciso
Frente
Lado
Oposto)
E quero. (Eu...)
Inocência
perene paciência
Dúbia
sigo peito aberto
"você é boba, ouça"
"quero toda moça"
Tu sai
Crua.
Não sei pra onde
Entre corredores de sombras edifico sonhos
(pesad)elos
"você é boba, ouça"
Pele perdeu razão
Meu querer não lhe deu perdão
Do que não lhe disse
Que não lhe fiz
Nem farei
Sei
(mas tua)
Narrativa
Calada
Somada
Ventres
Tu
Parcos
Ou mesmo para onde seguem
Rasgam
Pior imagem
Não sei
Mido
Talvez mudo
E cego.
Era quase
E de quase em quase
E ficou.
Sabemos.
Espero que saiba.
(?)
É.
sábado, 30 de setembro de 2017
Enquanto dormia
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Enquadrado
por respeitar teu carecer
não é a toa que hoje vou,
que corro tanto de você
teu olhar me enudece
nem preciso dizer
sabes sempre o que penso
antes d´eu mesma saber
mas a ti hoje eu só posso
dedicar meu querer
tua mão a outra juntou
isso me faz sofrer
ter de calar
fazer minguar
por isso corro
fujo
escondo
mas de longe ainda acompanho
distancio com olhar atento
com no coração o lamento
de ter que te olhar feito paisagem
enquadrado na estante.
Coração ofegante.
Vez ou outra paro e olho
quase te sinto me abraçar
mas então logo me lembro
não poder concretizar
mas fico aqui
sorriso sustento
deixando o maré seguir
Quem sabe pra onde isso vai fluir
Seja como for quero sempre só seu bem
meu amor não é de posse
se não for meu, amém.
Mas se me quiser
vem.
sábado, 13 de maio de 2017
Sem receio
E, como previsto, você era mais um
Entre palavras e olhares
se transformaram os lugares
Eu te quis sem saber por quê
No meu pensamento, de repente, veio você
Precisava te encontrar
Mas não sabia como falar
deveria deixar ao acaso...
Mas e se nunca se tornasse um caso?
Insegura dos dizeres,
mas muito certa dos quereres
Me embebedei de coragem
e criei a paisagem
Lá estávamos nós
escondidos entre lençóis
minha boca era tua
quando vi já estava nua
Teus cheiros me abraçaram
e nossos corpos então dançaram
percebi que não estava em mim
meu corpo sobrevoava o cetim
fechei os olhos e me deixei viajar
quando dei por mim tu não estava lá
Então descobri que lá nunca estivera
era só a soltura da minha fera
os meus devaneios te trouxeram pra perto
e naquele momento tudo se tornou incerto
Preciso alguma coisa fazer
te vi novamente e precisei me conter
em mim você está
e ainda não quero te tirar
paciente
logo saberei o que acontecerá com a gente
talvez nunca passe de um anseio
mas te manterei aqui sem receio
Colo
me faça um favor
fale agora tudo que sentes
saiba não precisar estar entre valentes
terá meu colo para desfrutar
e farei de tudo para te ajudar
Compartilhe seus horrores
e expurgue seus temores
juntos dividiremos
cada um de seus lamentos
Sei que sentes afundar
mas te ajudarei a navegar.
Ao teu lado muito aprendi
meu afago será a maneira de retribuir
Não pense que busco algo em troca
É que sua dor fundo me toca
te respeito e te admiro
por isso esse cuidado eu imprimo
te quero bem
te empresto o ombro, vem.
terça-feira, 9 de maio de 2017
Sorriso minguante
na solidão do quarto, mareja os olhos e se entrega ao luar...
Moça do encontro perdido,
Do coração sofrido,
Do sorriso corrompido.
Deseja o "não abalar"
se agita, se anima e grita
sorri e liberta o cantar.
Mas a felicidade ela só imita.
Da gargalhada abafada o choro quer passar.
Vira mar.
Mar aberto, maremoto.
Do sorriso perde o foco
Se perdeu.
O peito cratera vem frente ao olho vermelho
sabe que o abismo já não é mais alheio
Ele vem?
Será quem?
De maquiagem suada
De roupa amassada
Com pele surrada
Acabada
Ela vai
Se entrega à gravidade
já abandonou a vaidade
gole a gole tudo mingua
de coração alado e corpo no chão
se prepara para uma final decisão
Com o testemunho dos astros
Se reconhece aos pedaços
se o riso foi solto
Agora está envolto
De dor
Clamor
Horror
Dor
Dor
Dor
E se for?
Ainda dor?
Um rumo tomou.
Findou.
(Talvez) não
terça-feira, 18 de abril de 2017
À tatear.
Conectadas
Corpos surdos de cheiros
Calados de gestos
Cegos de dança
Tateam sabores.
Podres
Rebanham-se pelo espaço
Pela fuga da criança
Vem a lã fria, a seda, o laço
Bengalas cedidas
Cheirando a cansaço
Andorinhas mordidas
Limitadas ao passo
Engaioladas.
Vidas-sede, vidas-fome,
Vidas secas.
Come.
Consome.
Caladas
Sedadas
Sedentas
Detentas
Tormentas
Atormentadas
Porém; "conectadas".
terça-feira, 28 de março de 2017
Tintatoder
Entre passagens descompassadas tua imagem me cruzou. Estava longe para ver os detalhes, era lateral e me faltou o olhar, era mistério e eu quis desvendar. Quando o laço apareceu tu veio dizer com teu cantarolado sobre aquela por quem vidrada sou, cantou com rouquidão matinal daquela que nos ilumina e no meu coração ecoou.
Tua rouquidão me timbrou.
A curiosidade se instaurou, a conversa fluiu. Cada novidade me fazia sentir seus sons e neles reconheci o que havia de meu, em tuas coleções ouvi as vozes que comigo sempre falavam, em tuas realizações vi meus desejos, em tuas histórias meus anseios.
Breve foi o encontro, profundo foi o ponto.
Ponto que afundou, que da despretenciodade pretenciou, que do silêncio gritou. Se antes fora breve agora se estendera, amplificara. Não obstante ela me tomou, quiçá dominou, cegou. Da tua calma e doçura brotou minha ansiedade, vontade, curiosidade. Devo ter te assustado; eu me assustei.
Será que é de liquidez que me encho? Sou da trupe do sonho, do ideal, do improvável e impossível. Do coração na boca, da voz rouca. Do tremer, do perder.
Cada "tua voz" me tirou o foco do olhar, me deleitou com a sensação de proximidade, me assusta a intensidade, mas vou.
Cantei com meu silêncio os seus sons, chamei pro meu acalento seus tons, rechamei, falei, falei, falei, elogiei, encantei; me encantei. Incontáveis foram as vezes que ignorei a sabedoria por entrega ao desejo, que disse o calado, que falei um bucado. Torço pra que encantador seja, meu calor te deseja.
E se agora tu escutas é porque foi, fomos. E não interessa se iremos, mas estamos. Se compartilhado está é porque como presumido foi e esta é só uma maneira para que tu compreendas que aqui sempre foi fundo, foi dentro mesmo sem consenso, com contento. Tintatoder, era pra ser.