terça-feira, 9 de maio de 2017

Sorriso minguante

Vestida da noite ela se põe a dançar,
na solidão do quarto, mareja os olhos e se entrega ao luar...
Moça do encontro perdido,
Do coração sofrido,
Do sorriso corrompido.

Deseja o "não abalar"
se agita, se anima e grita
sorri e liberta o cantar.

Mas a felicidade ela só imita.

Da gargalhada abafada o choro quer passar.
Vira mar.
Mar aberto, maremoto.
Do sorriso perde o foco

Se perdeu.

O peito cratera vem frente ao olho vermelho
sabe que o abismo já não é mais alheio

Ele vem?
Será quem?

De maquiagem suada
De roupa amassada
Com pele surrada
Acabada

Ela vai

Se entrega à gravidade
já abandonou a vaidade
gole a gole tudo mingua
de coração alado e corpo no chão
se prepara para uma final decisão

Com o testemunho dos astros
Se reconhece aos pedaços
se o riso foi solto
Agora está envolto

De dor
Clamor
Horror
Dor
Dor
Dor

E se for?
Ainda dor?
Um rumo tomou.
Findou.
















(Talvez) não

Rejeição. 
Ou meu ou seu, um não.

Não agora, não assim.
O seu talvez  afundou os meus tomara que sim... 
escoando toda foi, fim.
No silêncio do talvez me perdi de vez. 
De vez em quando de hora em vez, talvez. 

Todos os talvez brotaram 
me afundaram. 

Emergida em  escolhas mal feitas, 
em decisões recém desfeitas, afoguei. 
No estômago veio um frio se alastrar, aflorou lá, 
lá mesmo, naquele ponto até então calado, 
Agora escancarado...
de certo esse todo não te diz respeita, 
mas quando diz de mim e tu ainda aqui está, nos diz.

Rejeição. 
Quer queira, quer não.

Retardar eu posso, 
mas todos os "e se" vem me revogar esforços. 
Tórrida. 
Torta. 
Ao tempo me entregarei sem saber se como poeira me espalhará 
ou como edifício me construirá. 
A construção é certa, mas é a demolição anterior? 
Preserva... me preserve, menino apressado, 
me levou os vinte, deixe viver os previstos trinta. 
Menino levado,
me mostre, não minta
tanto te vivencio e tanto desconheço... tu te renovas em posturas: ora corre desmedido, 
ora nunca parece findo. 
Vai, menino tempo, se exponha, me permita te entender ou ao menos te aceitar, 
vem menino tempo, vez em quando venha me visitar, eu te deixo passar. 
Nesse silêncio de palavras gritadas me escorrem clichês.

Rejeição. 
Minha atual visão.

Não.

Não.

Não.