sábado, 13 de janeiro de 2018

Talismã

Passando por ruas desertas entro no trem, ele chamou 
chama quente do menino-semente 
Chega perto, olha fundo
escolhe costurar minha cicatriz
negra retina em noite cristalina
Me ilumina
Balança o canto-sopro da atriz
farol de samba e soul 
Ressoou 

Compositor dos meus poemas
Dominador dos meus esquemas 
horas dedicadas aos vazios de quando aqui você não está
Ele norteia uma deusa, que ainda não eu
Pensei
norteou, já passou (Chico ecoou)
Sei
Furta-cor Frutificou
vem buzinando dentro muito antes do sinal verde-ficar
verde está, amadurecendo
me rangendo
lagarto de bem sem bem
ruindo proteções antes certas, severas
discretas
descritas 

Mas a boca seca por ti
escorregou, caiu 
temo tremendo
Choro bandido
De crime sem solução 
Tu vem, alerta de segredo nosso
sorrindo da vida antes sofrida
solfeja olhares de lá pra cá 
sai de casa e vem me bagunçar
Nuca, perna, orelha, todos os meus órgãos
Todos os meus pêlos tu seduz
Tomada
Tomei o café e mordi a maçã
bruta fera, doce erva
És meu mais novo talismã.


Canto oco

Findo sem começo 
com melodia descompassada 
Liquidifico meus anseios
pela alma já lavada

seca
rota
passada
de passo em passo
canta torto
anda solto
vento pouco
estranho e louco
por aqui ou por ali

segue teu caminho, colibri
teu som vai longe
montanha triturada
areia rasgada
venha reto até a fonte
se fontefique

desmonte

Sorriso borrado

Menina breve de sorriso leve 
Muda mundo
Inunda o fundo
Transforma
Transborda
Transgride 
Corrente
Correnteza 
Estranha beleza 
Não vista em si
olha, roda e acaba aqui
se vislumbrando no espelho
procura 
"quem sabe um batom vermelho?"
borra
chora
tira e ri
risonha criatura
de alma desnuda
carnuda
batom que não cabe na boca

derrete na roupa