terça-feira, 28 de março de 2017

Tintatoder

Entre passagens descompassadas tua imagem me cruzou. Estava longe para ver os detalhes, era lateral e me faltou o olhar, era mistério e eu quis desvendar. Quando o laço apareceu tu veio dizer com teu cantarolado sobre aquela por quem vidrada sou, cantou com rouquidão matinal daquela que nos ilumina e no meu coração ecoou.

Tua rouquidão me timbrou.

A curiosidade se instaurou, a conversa fluiu. Cada novidade me fazia sentir seus sons e neles reconheci o que havia de meu, em tuas coleções ouvi as vozes que comigo sempre falavam, em tuas realizações vi meus desejos, em tuas histórias meus anseios.

Breve foi o encontro, profundo foi o ponto.

Ponto que afundou, que da despretenciodade pretenciou, que do silêncio gritou. Se antes fora breve agora se estendera, amplificara. Não obstante ela me tomou, quiçá dominou, cegou. Da tua calma e doçura brotou minha ansiedade, vontade, curiosidade. Devo ter te assustado; eu me assustei.

Será que é de liquidez que me encho? Sou da trupe do sonho, do ideal, do improvável e impossível. Do coração na boca, da voz rouca. Do tremer, do perder.

Cada "tua voz" me tirou o foco do olhar, me deleitou com a sensação de proximidade, me assusta a intensidade, mas vou.

Cantei com meu silêncio os seus sons, chamei pro meu acalento seus tons, rechamei, falei, falei, falei, elogiei, encantei; me encantei. Incontáveis foram as vezes que ignorei a sabedoria por entrega ao desejo, que disse o calado, que falei um bucado. Torço pra que encantador seja, meu calor te deseja.

E se agora tu escutas é porque foi, fomos. E não interessa se iremos, mas estamos. Se compartilhado está é porque como presumido foi e esta é só uma maneira para que tu compreendas que aqui sempre foi fundo, foi dentro mesmo sem consenso, com contento. Tintatoder, era pra ser.