quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Agreste

O tempo parou, relógio soou e ninguém ouviu. A vida calou, o cansaço sanou. Armadilha. Quem disse que fácil seria? Parada enfim, resfriada por fim. Pra mim, queria assim. Silêncio audível, desejo possível? Quem me dera... Nova era? Procuro novos rumos, rumores. Que rufem os tambores! A carta anuncia, o calor resfria. Cabeça avoada, melhor quando calada. Disse que disseram que dirão, não! Entrando em um alçapão. Saia dai, tua pureza funda, clareza profunda. Quem me dera fosse um peixe e que na água já estivesse, mas só vejo essa seca nesse calor do agreste. Peixe fora d'água, afogada. Aonde o desejo se esconde? Receio que não nesta fonte. Tic tac, voltou a tocar. Minha hora acaba de soar. Tudo bem, por hoje já valeu sonhar.

domingo, 14 de setembro de 2014

Percurso, meu curso.

No impasse entre amar e realizar me pego aqui neste intercurso. Recheada de "e se" e tentando cumpri. Mantendo o sonho vivo e o desejo retido. Calada, cansada. A esperança deve prevalecer ou aquilo tudo esquecer? Sabendo da teimosia presumo a resposta, mas sigo nesta vida imposta. Imposta por escolhas e fiel a elas, sinceras. Caminho caminhado e desejo reciclado, calado. Mudo no meu universo obscuro, seguro. Secreto, incerto. Ainda vale a fantasia? Vou atrás da utopia? Vinte anos em branco, neste banco. Agora vai dormir pois temos que seguir. Só sabe Ele aonde meu futuro se esconde. Mas eu acho! Antes disso não relaxo, meu facho!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Nada andorinha, voa golfinho!

Certa da prioridade da necessidade afasta tua vontade, dá voz a um mundo vivendo nesse universo calado, dá tempo a seu relógio quebrado e emprega conformismo em mil mentiras inconformadas. Onde caminhas? Pra onde vai, ave perdida? Porque abdica de tuas assas se são suas para que usadas sejam. Porque esquece de teu vôo, quando é ele que te faz amar, viver, amar viver. Desamarra, encara.
- E com as urgências? o que será feito delas se por essa eu optar?
A correnteza cuida delas. Depois que voltares ao teu porto verás que o rio sempre caminha rumo ao mar.
- Como vôo recheada de escamas? Como nado repleto de penas?
Tão certa de tua verdade tu ainda teima em só me ouvir sem ao menos me escutar. Lembra só que te aviso. Passarinho não bica ferro porque sabe o bico que tem, então pare de querer bater bico; pare de por a boca onde tua origem jamais "bicará", habitará. Respira, pura ave, teu vôo ainda alçará. Nada golfinho, e não irá se afogar.