sexta-feira, 3 de novembro de 2017

(Ex)barrados


Barreira
De medo
E certeza
(destreza?)
Abusiva
Leviana franqueza
Tua fala não ME cala
Junta
Para que ouçamos
E saibamos
Com quem lidamos
E lutamos
Lutamos
Ainda que feridos
Nos tema
Sistema
União forma
E não revoga
Vigora
Febril
Hostil
Sabemos a origem do sucesso
Retrocesso
Descaso
Tua fala não ME cala
Propaga meu grito
(E não sucumbirá)
Tu, de antemão, demissão
Enfraquece
Empobrece
Os seus
Tão nossos futuros
Obscuros
(Remissão)
Os calados?
Ficarão
Tua fala não ME cala
Espreita corredores
Professores
Corretores
Monitores
E munições
Sãs
Nós
E as torres de Marfim
Sem olhar por mim
Nós
Já não sós
Tua fala não NOS cala
Te abala(?)

Do olhar astigmatizado

Depois de tanto tê-los apoiados em mim resolvi deles me abster.
Saí sem óculos e me entreguei à beleza do astigmata.
Entre rostos tortos e imagens distorcidas, vivi.
Observei com atenção meu caminho cotidiano; irreconhecível. 
Me desvencilhei da visão e, por isso, só por isso, vi.
Vivi.
Depois de fiar meus passos por eles, os abandonei.
Julguei ser a hora de respeitar minha não-visibilidade genética e então olhei.
Quebrei os óculos.
Enudeci meus olhos e finalmente enxerguei.
Vi o invisível, tangi o inatingível.
Com meus cegos olhos
Abri, por fim, meus olhos porosos.

Convidados intrusos

No meio da noite eles tocaram.
Sentei na cama inquieta
Ali já estava desperta
Meu coração despertador me levantou
Agitado soou
Me furtou sono deleite
Deixou olheiras de enfeite
me trouxe até aqui
Frente a ti
Ainda busco o porquê
Acho que queria te ver
Foi noite de conversa longa
Falas sem espaço
Frases sem tempo
Para onde tudo isso aponta?
Devo querer teu abraço
Sentir o seu alento.
Mas se a noite tu me visitou
E aqui estou
Te sonho, sei
Sei sereno
Atento
Vi teu olhar
Tua presença no meu falar
Saudei o encontro
Os olhos amêndoas saltaram
Ao acordar o falado foi ao ar
Ventifcou
vento virou
Eles não.
Cravaram
Enraizaram
Iluminaram
Foram luz no meu quarto solidão
Faróis meio à escuridão
É como se eles tivessem vindo me cobrar
Me perguntar
Audaciosos
Que momento ainda escolhem?
Meticulosos
Eu nego, renego
Mas a ti cá entrego
Ao menos esse devaneio
Essa noite de receio
Minha fragilidade exposta
Minha imagem descomposta
Vão mais versos
E eles cada vez mais imersos
Teus olhos crateradores
Hoje foram meus compositores.

Assalto

Mais uma vez ela chega
sem pedir licença
Me toma de assalto
e me descompensa

Ritmo e rima
entonam sua sina
Velocidade atroz
Me agitando os lençóis
Entorpece
Enlouquece
Mas não de súbito.
Tem tempo...
...Tempo pra sentir que tempo não há
Pra ver que não dá
Tempo de notar;
Você não conseguirá.
Nomeiam-na
Recuso.
De tanto me tirar
(Ar)
...Não vou me direcionar
Me prende
Sinto
Solta
Suplico.
Ofegante.
Tem isso, aquilo
Quando? (Farei)
Ah, faltou também...
Quando? (Terminarei)
Você deve ter esquecido, mas...
Quando? (Conseguirei)
Quando? (Ser/ter-eu-ei)
Ar.

Integral até

Tenho em mãos a ignorância (?)
Ali, delícia seria se assim declarada fosse
Há dúvida (?)
De certo se fosse ela
com outros se identificasse
Vive a dor
sorridente
Trago, pois então, a inocência do amor e toda sua pureza intrínseca.
Serei só mais uma amante de versos pueris e que por assim o ser
Me entrego à limitação que essa compreensão pressupõe
Me permita o desbunde deste...

Então te vi
No primeiro olhar; te vi

Sorri
Sorriso bobo e impreciso

Temi
Temor contente

Tremi
(e toda academia ali se pôs
Frente
Lado
Oposto)

E quis (não!)
E quero. (Eu...)
Talvez somente dor.
Inocência
perene paciência

Ou talvez (samba)

Na delícia da dúvida
Dúbia
Ainda quero.

E quererei. (surdo)
Sei.

Sua...

Nua.

Caminhos retorcidos mostram espaço 
certo
sigo peito aberto
"você é boba, ouça"
"quero toda moça"

Verso amplo

Amplitude...

Buraco que tu abre em mim

E vai
Tu sai
E deixa 
Não entenderei, sua.
Crua.
Ele foi (sai)
Não sei pra onde
Entre corredores de sombras edifico sonhos
(pesad)elos
"você é boba, ouça"

Ouço não
Pele perdeu razão
Meu querer não lhe deu perdão
O ímpeto do verso sabe de onde vem?
Do que não lhe disse
Que não lhe fiz
Nem farei
Sei
(mas tua)
Narrativa
Calada
Somada

Versos perpetuados em outros braços
Ventres

Entre(s)
Tu
Olhares sonhados em outros lados
Parcos
Já não difere de onde partem
Ou mesmo para onde seguem
Rasgam

Do corredor a sombra.
Pior imagem
Ge
Não sei
Mido
Talvez mudo
Sei calado.
E cego.

E quero.
Camila?
Ela está me esperando...

Escada

Sono

Parte

Integral

quarta.

Foi ali,
Era quase
E de quase em quase
Te
Passe.

Ele passou.
E ficou.

Foi antes. Eu sei.
Sabemos.
Espero que saiba.
Se não,
Contei
(?)
Rima
É.

Até