Vestida da noite ela se põe a dançar,
na solidão do quarto, mareja os olhos e se entrega ao luar...
Moça do encontro perdido,
Do coração sofrido,
Do sorriso corrompido.
Deseja o "não abalar"
se agita, se anima e grita
sorri e liberta o cantar.
Mas a felicidade ela só imita.
Da gargalhada abafada o choro quer passar.
Vira mar.
Mar aberto, maremoto.
Do sorriso perde o foco
Se perdeu.
O peito cratera vem frente ao olho vermelho
sabe que o abismo já não é mais alheio
Ele vem?
Será quem?
De maquiagem suada
De roupa amassada
Com pele surrada
Acabada
Ela vai
Se entrega à gravidade
já abandonou a vaidade
gole a gole tudo mingua
de coração alado e corpo no chão
se prepara para uma final decisão
Com o testemunho dos astros
Se reconhece aos pedaços
se o riso foi solto
Agora está envolto
De dor
Clamor
Horror
Dor
Dor
Dor
E se for?
Ainda dor?
Um rumo tomou.
Findou.
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