quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Para o sanatório.

E se eu te amasse sem que nem lhe conhecesse, seria este amor digno de reciprocidade? Sem que te visse te adimirasse, sem que te ouvisse concordasse. E se eu te amasse sem que soubesse? Se guardasse comigo cada sorriso abafado, cada elogio engasgado, cada suspiro não dado ainda assim leria minhas cartas não enviadas? E se, repleta de possibilidades esganasse esse amor tão profundo, esse caso negado, esse abraço não dado, saberia que um dia existiu? Agora, e se acaso confessasse que já sim te vi, que um dia contigo brinquei e que és quem eu sempre sonhei, perdoaria então o silêncio do meu canto? Afagaria o meu pranto? Receio que não. Temo ser apenas vista com os mesmos olhos indiferentes que já me curvastes, ser abraçada com aquele laço displicente que já me endereçaste. Sabendo desse sentimento sem encanto retorno ao meu canto. Sigo então minha vida, com o olhar distante e peito ofegante. Cantando versos surdos desse meu grito de sussurros, escolhendo meu repertório presa em seu sanatório.

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