Havia um broto. Meio a tantas flores belas aquela singela futura beleza me chamou a atenção. No jardim, todos que o rodeavam tentavam desviar meu foco exibindo os mais admiráveis perfumes conjunto às mais inspiradoras cores, todos deixando o verde como um pequeno plano de fundo para tamanha formosura. Continuei com meu broto. Sua simplicidade era encantadora, ocultava suas pétalas e permitia que pouco de seu aroma chegasse ao meu desfrute, desafiando minha criatividade, instigando meu desejo. A curiosidade de sua forma, a crença em seu encantamento me mantiveram ali, fixa. Dia após dia anciava pelo desabrochar, sabia que sua demora só traria ainda maiores surpresas. Eis que o tempo continuava a seguir, correr, mantendo seu passo constante e indomável sem se importar se minha inspiração seguiria ou não seus passos... Não seguiu. Quando de encontro fui àquele vi que sua energia cessara. Guardou-se tanto para seu dia de exposição suprema que a expectativa superou a confirmação. Meu broto se foi. O seu silêncio se tornou perene, minha esperança de vê-lo gritar em cores e perfumes se calou consigo. Por mais que perto deixassem as mais encantadoras orquídeas, lírios, rosas e bromélias me mantive leal. Meu amor veio com ele e com o mesmo se vai, não porque a capacidade de suspirar tenha ido consigo, mas porque por mais que a partir de então passe a amar todo um jardim cada um terá de mim seu carinho especial o qual nascerá e morrerá com cada qual. Este sentimento não segue o rumo previsto de vida e morte, este se mantém intacto tendo ou não em vista seu objeto de adoração. Dizem que o amor é o sentimento mais puro, pois acredito que assim o seja afinal creio ser o único capaz de se multiplicar sem que para isso antes precise subtrair ou traga a divisão como consequência. O amor é único pois aquele que dou para o lírio jamais será o mesmo que darei para a rosa. Assim como o da rosa vermelha e branca se diferem; ao amá-las compreendo as diferenças e então as admiro na singularidade, muitas vezes, pelo simples fato de diferentes serem. Da mesma forma, meu broto terá sempre meu amor, aquele que independente da história, do tempo ou de qualquer infortúnio que o destino possa pregar jamais deixará de pertencê-lo. Ainda que amanhã, no seu futuro desabrochar, a rosa seja descoberta cravo, a rosa se confirme orquídea. Esse broto já conquistou minha admiração, meu afeto, meu amor.
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